Era exatamente 3:23 hrs, tinha tido mais um daqueles pesadelos que tanto tenho tido ultimamente e como sempre, não consegui dormir novamente. Levantei me, fui ate a gaveta de calcinhas e mergulhei minha mão com a esperança de ninguém ter mexido ali enquanto tinha passado o dia fora. Peguei alguns cigarros que estavam enrolados em uma calcinha velha,e fui para o quintal, precisava respirar ar, ar novo, me entendem?
— Desculpe, mas sou covarde. – Disse pra mim mesma enquanto acendia o cigarro — Sim, covarde, egoísta, fraca, amarga, triste, carente… E tantas outras coisas que prometi pra mim mesma que não seria mais, aliás todo dia digo isso pra mi mesma: não sou isso nem aquilo, sou o que quero ser! Tentando assim, me convencer que sou forte. Mas olhe eu aqui, cá estou novamente anestesiando minha dor de alguma maneira…
Peguei o celular e vi que já tinha se passado 20 minutos e meu cigarro mal tinha começado a queimar, reparei também que não havia nenhuma mensagem nova, aliás, fazia dias que não havia.
— Eu sempre quis ser importante pra alguém, é meio clichê mais é a verdade. – pensava enquanto admirava a lua, sentia uma leve brisa bater em meu rosto e a fumaça do meu cigarro fazia com que minha visão ficasse um pouco embaçada.
— Queria que alguém precisasse de mim, precisasse ouvir a minha voz ou ver meu sorriso, ou até mesmo ouvir aquelas piadas sem graça que eu sempre conto, mas que ninguém ri. Eu queria arrancar sorrisos, suspiros, olhares, risadas e se fosse preciso, até lagrimas.. Sei lá, queria ser uma espécie de droga.
Traguei, e olhei para o cigarro que estava entre meus dedos.
— Como um cigarro que você tem que fumar todo dia se não você entra em pânico e desespero.
Comecei a rir.
— Talvez eu seja covarde como Alex me disse, ou até mesmo egoísta, porque quero que sintam a minha falta mas não quero sentir a de ninguém. Será que isso é tão errado?
Pensava enquanto olhava as cinzas do meu cigarro caírem no chão.
— Mas o que Alex não sabe, é que lá no fundo,eu sei que sou uma droga… Que no começo todo mundo vicia mas chega um certo tempo, todo mundo percebe que esse vício não vale a pena, não é tão perfeito como sentia e pensava que era…
Senti uma forte brisa em meu rosto, os fios dos meu cabelo não paravam de se mexer que ate dava para sentir eles brigando com o vento, e eu fumava.
— Na verdade, queria ser o remédio de alguém… É, um remédio! Depois de tanto tomá-los, você percebe que eles são uma droga, mas uma droga que te faz bem, e é isso que quero ser pra você – sorri- pra você não, pra alguém. Alguém que saiba ler a bula e me diga: você é perfeitamente imperfeita pra mim! E dizer isso, olhando nos meus olhos pra transmitir a certeza dessas palavras mesmo depois de ter lido todo o contexto do remédio.
Podia sentir a brisa em meu rosto cada vez mais forte, e ouvir de longe os galos cantando, o céu ficando claro e sentir o cheiro do cigarro, que no fundo odiava. Então fechei meus olhos, para que de alguma forma aproveitar melhor aquela sensação gostosa e intensa que estava sentindo.
— A verdade é que eu queria que alguém sentisse a minha falta como sente quando fica sem esse maldito cigarro. Queria que alguém dependesse de mim pra se sentir bem como depende dele, ou como eu dependo dele.. É, ele…
Abri os olhos, apaguei o resto do cigarro que tinha, escondi as cinzas e o resto dele debaixo de uma plantinha e voltei pro quarto. Aconcheguei os travesseiros, deitei e suspirei:
— As vezes não sei distinguir de quando eu estou sonhando ou de quando esto acordada, porque de verdade, não sei qual dos dois é aonde eu vivo tendo pesadelos frequentes…
Fechei os olhos, e desejei bem baixinho que assim que ele acordasse se lembrasse de mim, e quem sabe percebesse que ele é o remédio que eu sempre precisei.